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OS INTERESSES DOS TRABALHADORES E DO POVO SÃO RELEGADOS NO GOVERNO BOLSONARO

Cerca de 57,7 milhões de brasileiros votaram em Jair Bolsonaro para presidente da repblica, com a perspectiva de que ele acabasse com a corrupção, mas, tambm, para que ele tirasse o pas da grave crise econômica, poltica e tica em que estava mergulhado. A perspectiva era de que o pas sasse das dificuldades mais terrveis como o desemprego, a falta de crescimento e a corrupção. Porm, a realidade bastante inversa, pelo menos, nesses quase oito meses de governo.

verdade que Bolsonaro não enganou ningum. Ele não tinha Programa de Governo e nunca prometeu trabalhar para o desenvolvimento do pas de forma sustentvel, democrtica e nem soberana. Alis, esses temas nunca fizeram parte do seu discurso nem antes e nem depois de eleito. As bandeiras do presidente sempre foram acabar com a corrupção, liberar a compra de armas pela população, desmontar as polticas implantadas pelos governos anteriores e, lamentavelmente, atender aos interesses do imprio americano.

Pois bem. J se passaram sete meses e o Bolsonaro s tem governado para suprir as necessidades do grande capital e, para isso, aprofunda a Reforma Trabalhista retirando mais direitos dos trabalhadores, pois, para ele, o trabalhador tem que escolher se quer trabalhar ou ter direitos e, mais, acredita que ser patrão no Brasil um sofrimento, pois eles são explorados pelos trabalhadores; propõem uma Reforma da Previdência que acaba com o direito de muitos brasileiros de se aposentarem, criando regras que acentuam, ainda mais, as desigualdades e as injustiças.

Porm, infelizmente, as coisas não param por a. Alm de não ter apresentado, at agora, qualquer proposta sobre como enfrentar o desemprego, a falta de segurança que assombra o pas, o desmonte da indstria nacional, a falta de moradia para milhões de cidadãos, a fome e a misria que se espalham pelo pas, o governo tem no comando dos seus ministrios pessoas que, no mnimo, são muito estranhas: o ministro da educação quer acabar com as universidades pblicas cortando verbas e interferindo na democracia interna das federais, alm de chamar os ndios de “petistas calhordas” e que “quem roubou o Brasil foram vocês” (os ndios).

A Ministra de Estado da Mulher, da Famlia e dos Direitos Humanos, Damares Alves serve de chacota nas redes sociais diariamente por falar prolas como, por exemplo, “meninos vestem azul e meninas vestem rosa”; “ o momento de a igreja dizer nação a que viemos. o momento de a igreja governar” e a mais recente, quando se referiu sobre a forma de enfrentar a exploração sexual de menores na Ilha de Maraj, no Par, a ministra disse: “As meninas l são exploradas porque não têm calcinhas, não usam calcinhas, são muito pobres. E disseram: por que o ministrio não faz uma campanha para levar calcinhas pra l? Conseguimos um monte. Mas, por que levar calcinhas? As calcinhas vão acabar. Ns temos que levar uma fbrica de calcinhas para a Ilha do Maraj. Gerar emprego l e a calcinha vai sair baratinha pras meninas l.”

Alm de toda confusão interna ao nosso pas, o governo tambm resolveu querer se meter em pases alheios para agradar o presidente norte americano, seu dolo, Donald Trump, agredindo a Venezuela e Cuba. Ou ainda se metendo em enrascadas como querer transferir a Embaixada Brasileira de Tel Aviv para Jerusalm, o que significa uma provocação ao sofrido povo palestino e demostrando simpatia pelo polêmico governo de Israel.

Bem, infelizmente, não possvel elencar aqui todas as medidas descabidas desse governo que, lamentavelmente, passam longe da necessidade urgente de buscar soluções cabveis para enfrentar os problemas que afligem o pas enquanto nação, os trabalhadores e a maioria da sociedade. Talvez, s talvez esse não seja o governo que tenha as condições necessrias para tirar o Brasil dessa terrvel crise poltica, econômica, ideolgica, moral e tica.

Talvez os brasileiros devam pensar mais, se informar mais e procurar eleger pessoas que, de fato, se preocupem com a nossa urgente necessidade de criarmos as condições para um desenvolvimento com sustentabilidade, uma economia slida e soberana, uma indstria nacional capaz de alavancar a economia e criar postos de trabalho decentes, de investir no conhecimento, em educação, sade, condições de vida digna para os milhões de brasileiros e brasileiras. Enfim, pessoas que defendam os interesses do Brasil e do povo, não os do sistema financeiro, do grande capital ou, simplesmente, de mitos ou amigos. Esse seria o Brasil de futuro. Não o que estamos vivenciando hoje!

 

Chiquinho Pereira

Presidente do Sindicato dos Padeiros de São Paulo, 

da FEBRAPAN e Secretrio de Organização, Formação

e Polticas Sindicais da UGT - Nacional